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Leite com achocolatado, um exemplo de comfort food.

Comfort food: o que é e como pode ajudar na nutrição?

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Atualizado em  novembro 2023

Você já ouviu falar em comfort food?

Esse termo é utilizado para descrever pratos que nos trazem uma sensação de bem-estar e aconchego ao serem consumidos

Esses alimentos geralmente são associados à infância, momentos felizes em família ou a algum evento marcante da vida de uma pessoa.

Além disso, as “comidas afetivas" podem variar de acordo com a cultura e as preferências individuais, mas, em geral, são receitas simples, caseiras e reconfortantes

Neste artigo, vamos explorar mais a fundo o conceito de comfort food e sua relação com a memória afetiva. Vamos lá!

 

O que é comfort food?

Segundo a nutricionista Gabriella Oliveira: "Comfort-food é um termo usado para descrever alimentos que são associados a sentimentos de conforto e bem-estar emocional. Entender a relação do paciente com a comida é crucial para uma prática efetiva. O uso desses certos alimentos pode ser uma ferramenta útil no tratamento de transtornos alimentares e outras condições psicológicas relacionadas à alimentação."

Em geral, esse tipo de alimento é caracterizado por possuir alto teor de carboidratos, açúcar ou ácidos graxos, como bolos, doces e chocolate.

Mas não se deixe enganar: alimentos que são considerados saudáveis, como salmão, atum e nozes, também podem proporcionar bem estar, pois contêm altos níveis de ácidos graxos. 

De acordo com estudos, a emulsão de ácidos graxos pode afetar diretamente a região do cérebro responsável pelas emoções e humor, o que explica a eficácia de determinados alimentos em proporcionar conforto e bom humor para as pessoas.

Ainda de acordo com a profissional, "o comfort-food pode ajudar o paciente a se sentir confortável em torno de alimentos que ele normalmente evita, o que pode ser especialmente útil para aqueles que sofrem de transtornos alimentares, como a anorexia”. 

Assim, o conforto oferecido por esses alimentos, pode ajudar a reduzir a ansiedade em torno da alimentação e permitir que o paciente comece a desfrutar da comida novamente e de uma nova composição corporal.

No entanto, é importante lembrar que o comfort food não deve ser usado como uma solução rápida para problemas alimentares. Ele nos ajuda de diversas maneiras e o nome diz tudo: é uma comida que abraça, que deve ser saboreada/aproveitada, mas não devemos "matar" a nossa fome.

Por que a comfort food é tão reconfortante?

Alimentos que possuem alta quantidade de carboidratos, açúcar e ácidos graxos estimulam o sistema de recompensa do cérebro, por isso são considerados reconfortantes. 

Embora muitas vezes se possa atribuir o desejo por esses alimentos ao estresse ou simplesmente a uma vontade específica, existem razões pelas quais é possível desejar esses alimentos pouco saudáveis com mais frequência do que se gostaria.

Alguns estudos sugerem que o hipocampo, a ínsula e o núcleo caudado, regiões do cérebro associadas ao humor, são ativados durante episódios de desejo por comida.

Essas áreas são responsáveis pelo processamento dos sistemas de memória, recompensa e prazer do cérebro e, embora seja possível não ter total controle sobre os desejos alimentares, alguns deles podem ser corrigidos com alterações na dieta.

A relação entre comfort food e memória afetiva

A comida tem o potencial de aflorar sabores esquecidos e revisitar lembranças carregadas de sentimentos. Esta memória afetiva está presente especialmente em pratos considerados marcantes na vida de um indivíduo. 

A memória é um componente indispensável que une a trajetória de vida de pessoas e alimentos. 

Por sua vez, o sabor é um disparador de memórias que pode funcionar como uma forma de matar saudades de casa, dos familiares, de bons momentos na infância, e de outros tempos mais felizes.

Conforme o crescimento e o amadurecimento, os hábitos alimentares podem ser modificados, mas a memória do aprendizado alimentar permanece em nossa consciência por toda a vida.

Ainda que os ingredientes dos pratos possam mudar, a comida não perde a carga emocional. Dessa maneira, por meio de uma releitura de pratos, certas demandas simbólicas relacionadas ao alimento podem ser supridas.

Comfort food e nutrição

Para a nutrição, o movimento do comfort food estuda o vínculo da memória afetiva aos aspectos sensoriais de um alimento ou refeição.

Acredita-se que as características nutricionais, emocionais e sociais dos alimentos, combinadas com sua apresentação gastronômica, possam contribuir para uma maior aceitação dos alimentos. Essa teoria foi comprovada em um estudo com idosos hospitalizados, no qual o uso de comfort food foi uma estratégia eficaz.

“Hoje em dia, o tabu de não pode comer isso, não pode comer aquilo está cada vez maior e faz com que o paciente se restrinja tanto a ponto de não aguentar mais e quando vê, já comeu demais. Todo dia é um alimento diferente que acaba caindo no terrorismo nutricional.” explica a nutricionista Gabriella.

A nutricionista inclusive dá uma dica aos outros colegas: “O profissional que entende que seu paciente é um ser humano, que nem você, e que pode comer o comfort food equilibradamente, acaba tendo um resultado bem mais bacana e mais rápido.” 

“O paciente entende que nada é proibido e tudo é uma questão de bom senso e quantidade.  Hoje em dia, eu vejo que abrir o leque e explicar para o paciente que ele pode comer o que está com vontade (de forma equilibrada, claro), faz com que ele consiga inserir tudo o que é passado em consulta para ter um estilo de vida mais saudável” complementa Oliveira.  

Por este motivo, trazer opções no cardápio do paciente que respeitem sua cultura, história e preferências, é fundamental. Até mesmo receitas adaptadas, sem açúcar, podem trazer benefícios.” 

Comfort food: conclusões

Às vezes, uma comida afetiva é tudo que você precisa para se sentir um pouco melhor sobre o estresse e os problemas da vida cotidiana, e às vezes você precisa se deliciar com um pouco de chocolate.

Apenas lembre-se de manter tudo com moderação e que uma dieta balanceada pode ajudar muito a manter esses desejos sob controle. Alimentos de conforto são ótimos por razões óbvias, então nunca se sinta mal ou culpado por comer de vez em quando!

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Referências

Mann, D. Why Comfort Foods Are So Comforting. WebMed, 2011.

Magee, E. The Facts About Food Cravings. WebMed, 2005.

Costa, R. R. et al. Comfort food como estratégia de fortalecimento social emocional em idosos institucionalizados. Diálogos em Saúde, 2021. 

Altoé, I. et al. Entre ingredientes, cozinhas e afetos: aspectos socioculturais de uma vida dedicada à comida. Revista Ingesta, 2020. 

Gimenes-Minasse, M. H. S. G. Comfort food: sobre conceitos e principais características. Contextos da Alimentação–Revista de Comportamento, Cultura e Sociedade, 2016. 

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