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Dieta sustentável e saudável: como os nutricionistas podem criar um futuro melhor?

Alimentação sustentável e saudável: como os nutricionistas podem criar um futuro melhor?

Nutrição e sustentabilidade estão amplamente ligados e entender isso é uma urgência, não só dos nutricionistas. Em 2050, o mundo terá uma população estimada em quase 10 bilhões de pessoas e a única forma de garantir comida para todos passa pela sustentabilidade. A mudança tem que começar agora, dado que existem países com mais da metade de sua população sofrendo com algum grau de insegurança alimentar.

No Brasil, por exemplo, no último ano, 55,2% dos lares (116,8 milhões) passaram por algum grau de insegurança alimentar.¹ Não só isso, mas também metade das crianças com menos de 5 anos sofrem de fome oculta. ²

O cenário apresentado acima, torna-se ainda mais grave quando se considera que 1 em cada 9 brasileiros passou fome em 2020 ¹, sendo que diariamente 41.000 toneladas de comida vão para o lixo no país.¹ A alimentação sustentável e saudável é o caminho para diminuir esse abismo.

Nutrição X sustentabilidade

Nutrição e sustentabilidade devem caminhar juntos. Partindo do princípio de que um sistema alimentar insustentável não consegue produzir alimentos saudáveis para o consumo. ³

“Uma dieta saudável baseada em vegetais, frutas, legumes, sementes, castanhas e cereais integrais vão ajudar não só a nossa saúde, dos seres humanos, como também a saúde do planeta, pois são responsáveis por diminuir a emissão de gases, o uso de água e de terra também” explica a nutricionista Gabriela Parise.

Os sistemas alimentares são um dos principais contribuintes para as mudanças ambientais, sejam elas climáticas, sobre o uso da terra, poluição da água e do ar. ⁴ Como explica a nutricionista: “o sistema alimentar provocará 70%, ou mais, do uso de água doce; até 30% das emissões de gases de efeito estufa são gerados nesse sistema e infelizmente, 80% do desmatamento.” O diagnóstico é claro: “nosso sistema alimentar global precisa de uma mudança, precisa se redesenhar. Se continuarmos produzindo e processando os alimentos nessa quantidade e velocidade, os recursos naturais vão se esgotar” complementa Parise.

Ao mesmo tempo, os sistemas alimentares também são fortemente afetados por mudanças ambientais, que podem ter implicações importantes para a saúde devido a reduções na produção e alterações na composição nutricional de safras. ⁵

As nutricionistas têm papel fundamental nessa mudança por mais dietas saudáveis e sustentáveis. Uma dieta de qualidade é aquela que elimina a fome; é segura; reduz todas as formas de desnutrição; promove a saúde; e é produzida de forma sustentável. Isto é, sem prejudicar o ambiente e garantindo dietas de alta qualidade também para as gerações futuras. Não é possível ter uma alimentação saudável, sem a mesma ser sustentável em todas as suas dimensões. ⁵

O que é uma dieta sustentável e saudável?

Uma dieta sustentável e saudável é uma alimentação com mais alimentos à base de plantas e menos alimentos de origem animal.

A alimentação saudável e sustentável deve estar relacionada à produção de alimentos que protejam a biodiversidade e promovam o consumo variado, resgatando alimentos, preparações e hábitos culturais tradicionais. Deve ser acessível e disponível a todos, em quantidade e qualidade, baseada em alimentos produzidos e processados na região, por agricultores familiares, de maneira agroecológica, fundamentada na comercialização justa, aproximando a produção do consumo. Além disso, deve ser isento de contaminantes físicos, biológicos ou químicos que causem malefícios à todos os envolvidos, de maneira aguda ou crônica. ³

Uma alimentação com baixo impacto ambiental caminha com uma boa nutrição. Mesmo dentro desses padrões alimentares, haverá alguns alimentos mais sustentáveis do que outros, baseados em fatores da cadeia de suprimentos, dependendo de como e onde os alimentos foram produzidos, fabricados e transportados. O campo científico da nutrição, as diretrizes e políticas alimentares devem dar a devida consideração à sustentabilidade ao estabelecer metas voltadas para a nutrição saudável. ³

A agropecuária emitiu quase 600 mil toneladas de CO₂ em 2019. É a segunda maior atividade econômica responsável por impactos ambientais no Brasil, decorrentes da emissão de gás carbônico. ¹ Por isso, pensar em alternativas vegetais, bem como, promover uma pecuária com baixo carbono é importante. Não é uma questão de tudo ou nada, mas pequenas reduções e mudanças já promovem um grande impacto positivo.

Um artigo publicado na revista Ciência & Saúde Coletiva em 2020 destaca que o nutricionista, em seu Código de Ética, se compromete com o desenvolvimento sustentável e a preservação da biodiversidade. Sendo assim, é um dos princípios fundamentais da atuação da categoria. Ademais, a Resolução 60026, que regulamenta as áreas de atuação do nutricionista, também prevê como competência esperada na formação profissional a promoção de ações de incentivo ao desenvolvimento sustentável em todas as áreas.

Os alimentos que o nutricionista inclui em seus planos alimentares e como são produzidos devem considerar a saúde do planeta, assim como do corpo. Cabe ao profissional também orientar para evitar desperdícios e descarte irresponsável, já que estes fatores têm grandes impactos na saúde humana e na sustentabilidade ambiental. ⁷

Os alimentos que o nutricionista inclui em seus planos alimentares e como são produzidos devem considerar a saúde do planeta, assim como do corpo. Cabe ao profissional também orientar para evitar desperdícios e descarte irresponsável, já que estes fatores têm grandes impactos na saúde humana e na sustentabilidade ambiental.7

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Por SPRIM Brasil

Referências:

  1. Rede Penssan – Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional. Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar no Contexto da Pandemia da Covid-19 no Brasil. 2021.
  2. UNICEF- Fundo das Nações Unidas para Infância. Situação mundial da infância 2019: crianças, alimentação e nutrição. Crescendo saudável em um mundo de transformações. New York: UNICEF, 2019.
  3. MARTINELLI, Suellen Secchi; CAVALLI, Suzi Barletto. Alimentação saudável e sustentável: uma revisão narrativa sobre desafios e perspectivas. Ciência & Saúde Coletiva, v. 24, p. 4251-4262, 2019.
  4. Emissões Totais. SEEG - Sistema de Estimativa de Emissão de Gases, 2019. Disponível em: https://plataforma.seeg.eco.br/total_emission
  5. MARCHIONI, Dirce Maria; DE CARVALHO, Aline Martins; VILLAR, Betzabeth Slater. Dietas sustentáveis e sistemas alimentares: novos desafios da nutrição em saúde pública. Revista USP, n. 128, p. 61-76, 2021.
  6. EAT-Lancet. Relatório Sumário da Comissão EAT-Lancet. Dietas Saudáveis a partir de Sistemas Alimentares Sustentáveis. Alimento, Planeta, Saúde. Disponível em: https://eatforum.org/content/uploads/2019/07/EATLancet_Commission_Summary_Report_Portugese.pdf
  7. EAT-Lancet. EAT-Lancet Commission brief for Food Service Professionals. Disponível em: https://eatforum.org/content/uploads/2019/01/EAT_brief_food-service-professionals.pdf
  8. JACOB, Michelle Cristine Medeiros; ARAÚJO, Fábio Resende de. Desenvolvimento de competências para Nutrição no contexto de Sistemas Alimentares Sustentáveis. Ciência & Saúde Coletiva, v. 25, p. 4369-4378, 2020.
  9. LEE, Amanda et al. Affordability of current, and healthy, more equitable, sustainable diets by area of socioeconomic disadvantage and remoteness in Queensland: insights into food choice. International journal for equity in health, v. 20, n. 1, p. 1-17, 2021.
  10. EINI-ZINAB, Hassan; SOBHANI, Seyyed Reza; REZAZADEH, Arezoo. Designing a healthy, low-cost and environmentally sustainable food basket: an optimisation study. Public Health Nutrition, v. 24, n. 7, p. 1952-1961, 2021.
  11. CASTELLANOS-GUTIÉRREZ, Analí et al. Toward a healthy and sustainable diet in Mexico: where are we and how can we move forward?. The American Journal of Clinical Nutrition, v. 113, n. 5, p. 1177-1184, 2021.
  12. TRAJKOVSKA PETKOSKA, Anka; TRAJKOVSKA‐BROACH, Anita. Mediterranean diet: a nutrient‐packed diet and a healthy lifestyle for a sustainable world. Journal of the Science of Food and Agriculture, v. 101, n. 7, p. 2627-2633, 2021.
  13. TRAJKOVSKA PETKOSKA, Anka; TRAJKOVSKA‐BROACH, Anita. Mediterranean diet: a nutrient‐packed diet and a healthy lifestyle for a sustainable world. Journal of the Science of Food and Agriculture, v. 101, n. 7, p. 2627-2633, 2021.
  14. TEPPER, Sigal et al. The SHED Index: a tool for assessing a Sustainable Healthy Diet. European Journal of Nutrition, p. 1-13, 2021.

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