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Representando a relação entre o autismo e alimentação, um menino pequeno está segurando 4 peças coloridas de quebra-cabeça montadas em frente a seu rosto.

Autismo e alimentação: saiba como uma boa dieta pode ajudar

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Atualizado em  novembro 2023

O autismo é um transtorno que afeta a capacidade de um indivíduo quanto às interações sociais, comunicação e habilidades cognitivas. Os comportamentos podem variar de acordo com seu quadro clínico, trazendo reflexões sobre diversos temas, inclusive sobre a relação entre o autismo e a alimentação. 

Existem muitos estudos científicos atuais para demonstrar alterações no comportamento alimentar de pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA), podendo variar entre indisciplina, seletividade e até recusa de certos alimentos. 

No mês de abril é realizada a campanha do Abril Azul, com o intuito de conscientizar a população sobre a inclusão de pessoas com TEA e combater a discriminação sobre os mais de 2 milhões de brasileiros que possuem o transtorno. 

Pensando em fortalecer o tema e ajudar as pessoas que tenham qualquer proximidade com o TEA, o QBemQFaz trouxe um conteúdo completo sobre os desafios da relação entre o autismo e a alimentação, e algumas dicas sobre nutrição para crianças com autismo. Acompanhe a seguir!

O que é o autismo e como ele é diagnosticado?

O autismo ou Transtorno do Espectro Autista é uma síndrome neurofisiológica que afeta o comportamento das pessoas, podendo ser caracterizado pelo atraso no desenvolvimento de habilidades sociais, comunicativas e cognitivas. Um outro fator comum dentro do espectro são autistas que apresentam o intelecto avançado. 

A síndrome não apresenta sintomas clínicos únicos e claros. O seu diagnóstico é feito por profissionais qualificados e especialistas no assunto, que fazem observações analíticas aos comportamentos. 

Por se tratar de uma condição com quadro clínico variado, os sinais divergem de paciente para paciente. Mas, de modo geral, na maioria dos casos, o autista tem dificuldade de interação, são resistentes à mudança de rotina, enfrentam o desafio de expressar ideais e sentimentos, e são sensíveis a sons, contatos e luzes.

Geralmente, o autismo se manifesta antes dos 3 anos de idade, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), no entanto ainda não há uma certeza de sua causa. Estudos consideram a origem do autismo como algo multifatorial, em que são consideradas a genética e aspectos ambientais e sociais.

Os desafios alimentares em crianças com autismo

Considerando os aspectos do autismo, crianças autistas tendem a ser mais seletivas e persistentes em relação aos alimentos, o que pode levar a transtornos alimentares e a dificuldade de inserção de nutrientes em seus organismos. 

Segundo estudos, 25% das crianças já apresentam algum tipo de transtorno alimentar, mas esse número sobe para 80% quando trata-se de crianças com algum tipo de desenvolvimento neurodivergente, como são os casos de autismo. 

Algumas das possíveis causas podem ser vistas através das alterações nos hábitos alimentares que incluem preferência por texturas específicas de comida, dieta limitada a uma única cor de alimento, consumo dos mesmos alimentos todos os dias sem variação e limitação do ambiente onde a refeição é feita.

Além disso, outros pesquisadores têm percebido que há uma relação entre o cérebro, o intestino e o sistema imunológico. Tal ligação pode acarretar em desordens gastrointestinais, como a baixa produção de certos enzimas, inflamação da parede intestinal e a permeabilidade intestinal alterada, agravando sintomas dos indivíduos com TEA.

Crianças autistas: alimentos que devem ser evitados 

Não há uma lista de alimentos específicos que devem ser evitados para crianças com autismo, pois as preferências alimentares podem variar amplamente de uma criança para outra. No entanto, existem algumas recomendações gerais que podem ajudar os pais e cuidadores a melhorar a alimentação de crianças com autismo:

  • Evitar alimentos altamente processados e açúcares adicionados. Em vez disso, optar por alimentos integrais e naturalmente doces, como frutas;

  • Evitar alimentos com aditivos artificiais, como corantes e aromatizantes, considerando que eles podem estimular a hiperatividade;

  • Evitar a ingestão de glúten, presente no trigo e aveia, pois pode agravar sintomas de problemas gastrointestinais;

  • Evitar o consumo de caseína, proteína presente no leite e em seus derivados. Há investigações que acreditam que a caseína é mal absorvida pelo intestino, causando inflamações no corpo.

Em resumo, é constatado um alto índice de sintomas gástricos em pessoas autistas, como a constipação intestinal, diarreia, refluxo e gastrite. 

Além dos alimentos citados anteriormente, outros que irritam o estômago e o intestino também devem ser evitados, como café, alimentos ácidos, altamente processados, como refrigerantes e frituras.

É importante lembrar que cada criança é única e pode ter preferências e necessidades alimentares diferentes. Portanto, é importante observar como a criança responde a diferentes alimentos e buscar aconselhamento de um profissional de saúde qualificado para obter orientações específicas.

Alimentos que podem ajudar na saúde de pacientes com TEA

Ainda que não exista uma lista de alimentos que podem ajudar com os sintomas e sinais de autismo, a restrição e substituição de alguns elementos vêm apresentando melhoras significativas no bem-estar de crianças autistas. 

Uma dieta isenta de glúten e caseína parece ser uma das melhores alternativas para amenizar problemas gastrointestinais.

Não há uma dieta específica para crianças com autismo que possa melhorar diretamente os sintomas do transtorno. No entanto, uma rotina alimentar saudável e equilibrada pode ajudar a melhorar a saúde geral da criança e, consequentemente, a qualidade de vida.

É importante garantir que a criança esteja recebendo uma variedade de alimentos nutritivos, incluindo proteínas, carboidratos complexos, gorduras saudáveis, vitaminas e minerais. Alguns alimentos que podem ser benéficos para crianças autistas incluem:

  • Alimentos ricos em ômega-3, como peixes de água fria, sementes de chia, linhaça e nozes, que podem ajudar a melhorar a função cerebral e a comunicação;

  • Alimentos ricos em antioxidantes, como frutas e vegetais de cores vibrantes, que podem ajudar a reduzir a inflamação e melhorar a saúde geral;

  • Alimentos probióticos, como iogurte e kefir, que podem ajudar a melhorar a saúde intestinal e a função imunológica;

  • Alimentos que substituam aqueles que contêm glúten e caseína, como as farinhas de milho ou arroz, e leites de origem vegetal.

Além disso, a inserção de suplementação e implementação de alimentos naturais é uma das formas mais efetivas de evitar qualquer deficiência nutricional, especialmente de vitaminas e minerais essenciais para um desenvolvimento saudável e completo. 

Aqui vale lembrar que para iniciar o consumo de qualquer suplemento, é preciso que haja a recomendação e orientação de um nutricionista.

Sabendo que muitas crianças dentro do espectro autista têm dificuldades em experimentar novos alimentos e sair da rotina, é extremamente importante que os responsáveis incentivem a variedade alimentar, apresentando novos alimentos de forma gradual e respeitando as preferências individuais.

Dicas para criar uma dieta saudável para crianças com autismo 

Selecionamos algumas dicas de como criar uma rotina alimentar saudável para as crianças com autismo. A primeira delas é consultar um nutricionista para orientação personalizada em relação à alimentação de cada pessoa.

Junto com isso, é essencial que qualquer mudança e tentativa de introdução alimentar seja acompanhada pelo envolvimento de todos os responsáveis. A criança precisa estar se sentindo confortável e segura para receber as modificações propostas da melhor maneira possível.

Além disso, experimente diferentes texturas de alimentos e formas de preparo, como cortar os alimentos em pedaços pequenos ou em formatos divertidos para incentivar a criança a experimentá-los. Ofereça diferentes tipos de frutas, vegetais, grãos e proteínas, permitindo que a criança escolha os alimentos que deseja comer.

Com a ajuda de um profissional qualificado, considere suplementos alimentares, como ômega-3 e vitamina D, que podem ser benéficos para a saúde geral e o bem-estar da criança com autismo.

Ainda não existem evidências completas sobre como uma dieta alimentar pode melhorar sintomas do autismo, porém seguindo algumas das dicas deste texto e tendo muita paciência e amor, o bem-estar das crianças autistas pode melhorar. 

Reforçamos a importância de procurar recomendações de profissionais especializados antes de qualquer mudança alimentar significativa. 

Do mais, se você gostou deste conteúdo, continue acompanhando o QBemQFaz, aqui nós prezamos pela saúde, nutrição e bem-estar de todos!

Referências

Role of Oxidative Stress and Antioxidants in Autism. National Library of Medicine, 2020.

Transtorno do Espectro do Autismo: impacto no comportamento alimentar. Brazilian Journal of Health Review, 2020.

Nutrição e autismo: reflexões sobre a alimentação do autista. Educação Ciência.

Nutrição e autismo: considerações sobre a alimentação do autista. Revista Científica do ITPAC, 2012.

Alimentação no tratamento de autismo. SBCM, 2003.

Pediatric feeding disorders. National Library of Medicine, 2000.
Abril Azul, mês da conscientização sobre o autismo. Câmara Municipal de São Paulo, 2022.

O QbemQfaz é um portal de conteúdos sobre saúde, nutrição, bem-estar e alimentação saudável da Nestlé. Os conteúdos desse site têm caráter informativo e não substituem o aconselhamento e acompanhamento médico, nutricional e de outros profissionais de saúde.